28/10/2015

A força do Baixo Alentejo

Há momentos em que captamos a foto perfeita e este foi um deles:

  • Cartaz eleitoral "A força do Baixo Alentejo" 
  • Rendimento social de inserção
  • Pensão por invalidez 
  • Salário mínimo nacional
  • Infracção de transito/Ciclovia à direita



Quando a família regressa à terra... (parte 2 de 5)


Levou um mês a pensar naquilo e a fazer rezas para que o filho encontrasse um trabalho lá em Lisboa, e a preguiçosa da nora mexesse as pernas cheias de varizes para fazer alguma coisa, e a neta ganhasse no bingo. Mas sabia que Deus demorava em média dez anos para atender as suas preces. O filho não mudara de ideias e até a neta parecia entusiasmada com a vinda para o Alentejo. Explicara-lhe que a discoteca mais próxima ficava a trinta quilómetros, mas ela retorquira com carinho que isso não era importante, com o bebé não ia ter tempo para discotecas.
Assim percebeu que eles não iam voltar atrás na decisão, andavam mesmo a finalizar os preparativos para a mudança. Percebeu que estava na altura de fazer alguma coisa e naquela tarde foi até ao quintal com a enxada na mão, disposta a fazer o que precisava ser feito. Primeiro ficou a observar o quintal. Duas oliveiras, duas laranjeiras e uma romãzeira, que as mãos do seu pai haviam semeado. Os canteiros de pedras arrumadinhas, que na primavera deixavam brotar flores, o poço caiado, cuja água era usada na rega. Estava bonito o quintal, porque depois da morte do marido e de matar as galinhas que lhe davam demasiado trabalho, Maria Augusta dedicara-se a cuidar do espaço.
Era fácil encontrar definido o quadrado destinado à futura casa. Era um quadrado bastante grande, no centro do quintal, aonde antes semeavam batatas, alfaces, alhos, favas. E era nesse quadrado que tinha sido enterrado um homem há precisamente sessenta anos.
Passara muito tempo mas todos os dias eram encontradas ossadas seculares em escavações. Sessenta anos não fora tempo suficiente para consumir um corpo por completo, tinha que haver, algures por ali, restos daquele homem. E soltando um impo, Maria Augusta começou a cavar onde julgava ter enterrado o dito cujo.
Escusado será dizer que não encontrou nada e passou uma noite horrível cheia de dores nas costas, nas pernas e nos braços e nos dedos e em vários outros sítios que à primeira vista não estariam associados ao ato de pegar numa enxada. Talvez por isso, naquela manhã do dia seguinte, caminhasse como uma traça ataranta, talvez não fosse só o peso da preocupação!
Não se lembrava do sítio exato onde o enterrara. Tentara inclusive esquecer, para não pensar que as favas que tanto apreciava tinham crescido com tal adubo. E como não se lembrava, tinha que cavar o quintal todo. E como não tinha forças para tamanha empreitada, teria que pedir ajuda!
Com a ajuda das dores, manteve-se acordada a pensar na pessoa ideal para a ajudar na missão. Não podia deixar que o namorado da neta achasse o esqueleto, porque ia achá-lo de certeza mal começassem a fazer as fundações. Deus do céu, o que é que ele ia pensar?! Pior, se não estivesse sozinho, se mais alguém visse? E o filho, o que é que o filho ia pensar? Seria chantageada pela nora até ao fim dos seus dias… ou dos dela! E imagine-se que a neta e o namorado se desentendiam! E mesmo que todos decidissem manter o segredo, que era a decisão mais acertada e conveniente, não saberiam lidar com ele. Estavam tão felizes por recomeçar ali, junto de si. Não, não ia estragar tudo passando-lhes esse peso para cima. Nem ia arriscar-se a ir parar à cadeia com esta idade.

Pensara em todas as pessoas da aldeia, selecionara algumas e no final não existiram dúvidas: o único que podia ajudá-la era o primo Joaquim. 

26/09/2015

Quanto a família regressa à terra...(parte 1 de 5)


Maria Augusta esvoaçava rua acima como uma borboleta negra… A bem dizer, naquela manhã de inverno, parecia-se mais com uma traça velha e atarantada, acabada de esbarrar numa lâmpada. E não era o peso da idade que lhe estava a retirar a graça que sempre tivera a caminhar, mas sim o peso da preocupação.
Ficara viúva há quatro meses e desde então os acontecimentos tinham sucedido em catadupa. A morte do marido, aos oitenta anos, fora uma bênção de Deus. Depois de uma década a cuidar dele (e sem uma única palavra de agradecimento, pois o pobre perdera completamente a fala), Maria Augusta vira finalmente atendidas as suas preces, chegando mesmo a acreditar que poderia agora gozar de algum descanso.
Já não ia para nova, setenta e nove anos pesavam! Mas com o dinheiro que tinha poupado, cuidando ela própria do marido, aproveitaria melhor os anos que lhe restavam. Começou a imaginar-se nas excursões em que vendem colchões ortopédicos e poltronas de luxo, e nos almoços de convívio patrocinados pela Câmara Municipal. Ir para aqui e para acolá sem ter que dar satisfações a ninguém… ir ao Alqueva!
Tudo isto pensara a pobre Maria Augusta e em apenas cinco minutos, duração de um telefonema, todos os seus sonhos se transformaram em nada.
O seu filho telefonara-lhe, três meses depois da morte do pai, para dizer que fechara o restaurante. No início ainda pensou que ele ia pedir-lhe dinheiro para abrir outro negócio, que é sempre o que os filhos fazem: pedir dinheiro. Acham, talvez porque os pais não andem sempre com roupas novas nem a trocar de mobília, que o dinheiro procria nas suas mãos. Bom, mas ele não queria dinheiro, queria dar aquilo que ele considerava uma boa notícia.
Logo a seguir à morte do marido, soube que a neta engravidara do namorado…mas que desta vez era um namoro sério e a coisa ia para a frente. Ainda assim ficou de pé atrás, porque a neta estava desempregada, porque o negócio do filho já pouco lucro dava… Enfim, o pressentimento advindo da experiência dizia-lhe que aquilo não ia correr bem… para si.
Após revelar que fechara o restaurante, depressa tentara sossegar a mãe (que soltara um suspiro profundo do outro lado da linha) com a solução para todos os problemas da família. E cheio de boas intenções, Zé Manel anunciou, em menos de um minuto, que a solidão da mãe estava prestes a acabar. Ele e a mulher vinham viver com a mãe! E o gato persa também vinha. E claro, o fruto do amor deles, que esperava agora o fruto do seu próprio amor. E o namorado, pai do fruto.
Por esta altura já Maria Augusta começava a procurar uma cadeira para se sentar, dando voltas à cabeça, a pensar onde ia meter tanta gente. Mas o filho já tinha pensado em tudo.
Mãe, nós ficamos consigo e a Catarina e o João fazem uma casinha no quintal. Ele ajeita-se bem, sempre trabalhou nas obras, e há-de fazer uma coisa bonita. Faz-se a casa e ainda dá para semear umas coisinhas à volta e ter umas galinhas.
É, sempre foi e será, muito fácil fazer planos e pensar no presente e no futuro. Mas as pessoas esquecem-se sempre do passado e de como ele é importante. Sim, os pequenos segredos, aquelas coisas que fizemos e que…ninguém pode saber. Toda a gente tem um esqueleto no armário, pertença a um rato ou a uma mula, ele existe e está lá! E o armário de Maria Augusta não era excepção. Aliás, o esqueleto oculto por Maria Augusta era bem real e estava enterrado no quintal onde o namorado da neta, um moço muito habilidoso, ia fazer a casinha. 
(Continua...)

24/09/2015

O império que George Ezra tem na Hungria

George Ezra é um cantor inglês de 22 anos e tem uma boa notícia para a população Síria:  

Uma casa em Budapeste, um baú com tesouros, um piano de cauda, um castelo que é muito lindo e alguns hectares de terreno, e está disposto a deixar tudo por amor. 

Eu sei que lá na Hungria são muito rígidos e não querem refugiados nas suas terras, o que se compreende muito bem, pois eles próprios já foram refugiados após a Revolução de 1956. Sentiram na pele o que é ir para um país alheio, tentando recomeçar de novo. E portanto agora não querem ninguém no seu. Faz todo o sentido. Ser refugiado é um transtorno e eles querem poupar os Sírios a esse sofrimento. 
São muito humanos. Sabe Deus o que custou aquela jornalista Húngara, andar a pontapear crianças! Mas foi para bem delas, é com os pontapés que a vida nos dá que vamos para a frente. E onde está uma dessas crianças agora? Em Espanha com a família, de mão dada com o Cristiano Ronaldo! Com o merecido recomeço de vida! E a pobre jornalista? Despedida. É uma mártir.
Mas já me estou a desviar do assunto, o que eu queria dizer é que, segundo a sua música, George Ezra quer se desfazer de todo um império na Hungria e com sorte, estando ele apaixonado como parece, ainda é menino para dar tudo aos Sírios. 
Já imaginaram quantas pessoas podia albergar a casa, o castelo e os terrenos?? Xiiii! E já nem falo no baú com tesouros, dava para comprar bens de primeira necessidade por muito tempo. E nem precisavam vender logo o piano de cauda.
Eu até podia tentar contactar o moço e explicar-lhe a situação, servir de intermediária entre ele e os refugiados mas confesso que tenho algum receio. 
Onde é que o George Ezra, com apenas 22 anos, foi arranjar dinheiro para ter um império destes? Quem são os pais dele? Professores... Ah pois é! Eu com fortunas duvidosas estou sempre de pé atrás. Mas fica a dica, se conhecerem alguém interessado passem a palavra, negócios destes são um achado...!

Deixo-vos a música e respectiva tradução, desfrutem!
   

22/09/2015

A culpada da derrota do Benfica foi a avó do André André

Bem me parecia que aquele golo no Domingo, tão perto do apito final e vindo de um jogador muito pouco provável, tinha ar de milagre.
Não digo com isto que André André seja mau jogador! Nada disso! E admito (com alguma dificuldade) que o FCP é bem capaz de ganhar ao Benfica. Mas no Domingo, meus amigos, foi milagre e já temos culpada: a avó do André André.
Estava a ver as notícias ontem à noite e eis que aparece a velhota, com um ar extremamente doce e transbordando de amor pelo seu neto, revelando que pedira por ele à Nossa Senhora do Sameiro.

"Pronto." - Disse eu, revirando os olhos. - "Eu sabia!"

Tinha que haver dedo divino! O que eu não percebo é qual é o critério de aceitação dos pedidos. De certeza que haviam muitas avós velhotas e fofas a pedir pelos seus netos jogadores do Benfica. E porque é que não foram ouvidas? É por escalões? Muitas certamente pediram a Deus! Quem é a Nossa Senhora do Sameiro mais do que Deus Nosso Senhor? São cunhas. Em todo o lado é a mesma coisa. 
Aposto que se investigarmos bem, por detrás de cada golo improvável há sempre uma idosa fofinha a fazer pedidos, qual Gato das Botas no filme Shrek! A realidade vai muito mais além daquilo que os nossos olhos alcançam! É o Matrix da fofura que controla o mundo do futebol!

Tenham medo...!

21/09/2015

Acho que Fidel Castro corre três vezes por semana!

Sabem, comecei a correr. É verdade, embora pareça mentira. Nunca gostei de correr, e continuo a não ser fã deste desporto, mas um dia fui caminhar e às tantas o hemisfério esquerdo do meu cérebro cruzou os braços, abanou a cabeça, e disse-me assim: "Podias fazer melhor que isso."
O tom reprovador com que ele falou comigo deixou-me um bocadinho envergonhada e num impulso a minha perna direita deu um salto para a frente, acabando por arrastar o resto do meu corpo. Foi bonito, mas cinco minutos depois, se me tivessem posto uma mão na boca eu rebentava. Caminhei. Voltei a correr. E assim fui fazendo alternadamente até chegar a casa.
Parecia que tinha regressado de uma caminhada a Fátima. Não havia dedo que não estivesse em chaga!! Os calcanhares metiam dó! E o hemisfério esquerdo levou algum tempo a tentar perceber se tinha feito o melhor ao corpo que tem a seu cargo.
É teimoso e deve ter concluído que sim porque dois dias depois dei por mim a ligar os dedos dos pés com adesivo. Mais tarde e acho que por causa de mais quatro bolhas, tomou a decisão de comprar uns ténis. O hemisfério direito ainda tentou argumentar que não era um bom mês para isso mas o outro não lhe deu ouvidos. Desculpas de preguiçoso!
No dia que estreei os ténis, parecia uma gazela celestial, saltitando graciosamente de nuvem em nuvem! Ah, foi lindo! Corri 4km sem parar, em 27 minutos, e nem uma bolha, nem uma ferida, nem sequer uma dorzinha nestes pés tão perfeitinhos que eu tenho...o mundo foi meu por meia hora!
Nessa noite estava a ver as notícias e soube que o Papa Francisco tinha estado com Fidel Castro. E quando ouço isto, fico sempre com a sensação de que daqui a 50 anos vão continuar a dizer-me que alguém esteve com Fidel Castro. É como se ele tivesse atingido a imortalidade!É o Highlander de Cuba!
E depois veio-me a cabeça uma imagem perturbadora. Fui confirmar na Internet e ei-lo em fato de treino nas duas últimas aparições públicas! E eram fatos de treino diferentes, o que põe de parte a teoria do holograma ou até mesmo do embalsamamento.
Correr três vezes por semana aumenta a longevidade. Fidel Castro não morre + Fidel Castro usa fato de treino = Fidel Castro corre três vezes por semana. Parece-me muito óbvio. Até aposto que usa ténis da norte-americana Nike...

E acho que por agora esta teoria me convenceu a continuar com a corrida.

17/09/2015

Portugal campeão do emprego!

Suspeitei que era ano de eleições quando comecei a ver movimentações no IP8. Ainda fiquei na dúvida se aquilo era mesmo o recomeço das obras ou se era um truque parecido ao que eu costumo usar com os meus gatos. Quando quero que eles venham até mim e eles decidem não vir, coloco granulado numa tigelinha de inox e chocalho.
Tive a certeza que era ano de eleições quando, um mês depois, me deparei com um corte na estrada e consequente desvio. Foi como se eu tivesse espalhado algum granulado no chão e esperado que os meus gatinhos resistentes se aproximassem para comer. No entanto eu nunca lhes daria o conteúdo da tigela, pois a minha intenção era apenas que viessem até mim.
Nestas alturas custa-me ver as notícias, sabem? Basicamente resumem-se a trocas de acusações entre políticos, e nem sequer têm inovado muito nesse campo. Deviam começar a fazer workshops para entender um pouco melhor a essência da arte dramática. Onde ainda conseguem surpreender-me é com as estatísticas que surgem nesta altura. A última deu origem ao seguinte título: 

"Portugal campeão do emprego!"




Ai sim? Onde é que decorreu o campeonato?No estádio do Algarve? Era bom que tivesse sido, sempre lhe davam alguma utilidade. Os Jogos da Fome do emprego!

28 países, cada país representado por um casal, no final, só um consegue emprego! É conseguir emprego ou morrer! Vale tudo: preencher formulários, requerer subsídios, superar depressões, não poder engravidar, trabalhar sem seguro, sem contrato, barricar-se em edifícios, fazer ameaças de bomba, explodir a bomba e até ser contratado a recibos verdes!
É normal que tenhamos ganho, é tudo malta que está habituada a ficar horas na fila de espera do Centro de Emprego, e a não conseguir consulta no Centro de Saúde, a esperar meses por uma operação, a entregar a casa ao banco. Somos do mais resistente que há, temos calo! 

Tantos anos depois dos nossos triunfos enquanto navegadores, voltámos por fim a ser campeões nalguma coisa!

P.S: Não resisti a colocar a taça!

16/04/2013

Ela era uma Neandertal e ele um Homo Sapiens...

Parece que encontraram no nordeste da Itália o esqueleto de uma criança híbrida, fruto do amor entre um Homo Sapiens uma Neandertal. Não é nada que me espante, aliás, sempre achei que muitos seres humanos tinham qualquer coisinha de Neandertal...
Pesquisei um pouco e parece que os europeus têm 4% do ADN de um Neandertal... Mas há cientistas que dizem que são semelhanças genéticas que podem ser explicadas de outra forma e que não houve cruzamento entre as espécies.

Eu acredito que houve...


Clotilde, uma robusta Neandertal de cabelos ruivos estava junto à fogueira, aquecendo as ideias.
Pensava em muitas coisas, especialmente em como sobreviveria comendo apenas aquele bocado de ave esquisita que o seu marido lhe deixara enfiada no gelo antes de desaparecer. Devia estar morto, pois claro, porque mais nenhuma outra o haveria de querer. Tinha os olhos a focar em direções opostas, o que lhe dificultava em muito as caçadas. Mas o estrabismo divergente não era tudo... haviam outras coisas, outras necessidades que ele não lhe satisfazia devido ao tamanho diminuto do seu membro.

Ali, junto à lareira, o pensamento de Clotilde divagava de tal maneira que outros apetites lhe surgiam em vez da fome. E foi então que apareceu Jacinto.

Jacinto estacou em frente dela, enorme, cheio de peles como uma mulher vinda dos anos 80, mas muito viril, cor de ébano. Clotilde começou por olhar-lhe para os pés e foi subindo até lá acima. Até me admirava - pensou para si, ao ver que Jacinto só tinha um olho. Mas um olho que visse bem sempre era melhor que dois que não se entendiam.

E foi nessa noite que começou uma história de amor. Jacinto tocou-lhe nos cabelos, Clotilde mordeu-o. Ele ficou encantado com o seu lado selvagem, ela achou que ele tinha algo especial. E pronto, primeiro foi junto à fogueira, depois foi dentro da cabana que o seu falecido marido construíra com tanta dificuldade. E foi, foi, foi, foi... toda a noite. E nas noites seguintes também. 

Ele começou a ficar por ali mais tempo e faziam mais do que acasalar: caçavam, iam à pesca, fizeram um upgrade à cabana. Clotilde começou a aceitar os seus gestos de quase ternura sem o morder ou atacar com paus. Eram praticamente marido e mulher.

No entanto havia algo estranho, Jacinto por vezes ausentava-se e não regressava com caça. E ele era bom caçador! O sexto sentido de Clotilde começou a ficar alerta e depois de algum tempo sem saber que fazer, decidiu segui-lo. E viu. 

Era uma pequena aldeia de Homo Sapiens. Jacinto andava lá no meio e parecia ser respeitado por todos. Parou junto de uma cabana de onde saíram dois espécimes mais velhos, um homem e uma mulher e, detrás do arbusto, Clotilde teve a certeza que eram os pais.

Com que então era isso. Ele tinha vergonha dela. Amava-a mas não estava disposto a apresenta-la como sua mulher! Só porque era de outra espécie? Mas eram assim tão diferentes? Isso não era amor e ele não a merecia, concluiu Clotilde imediatamente. E o seu cérebro grande decidiu o que fazer. 

Andou os cerca de 50 km de regresso até à sua cabana e esperou pacientemente que ele regressasse, noite após noite. E quando regressou, ela matou-o. Deu-lhe uma mocada na cabeça e arrumou-se o assunto. E fez mais, arranjou a carne para ter o que comer nos próximos meses. Estava grávida e precisava de se alimentar e o seu amado sempre lhe parecera muito suculento. Depois, antes de dar à luz, tencionava procurar um aglomerado de Neandertais para viver com eles. Inventaria uma história sobre o facto de o companheiro ter morrido numa caçada. Era muito boa a inventar, embora não se conseguisse exprimir muito bem e se esquecesse logo das coisas.

É que...Clotilde sofria de um distúrbio que lhe afetava a memória, havia morto o marido estrábico mas não se lembrava. Estava farta dele e tinha-o afogado no rio, ele nunca soubera nadar muito bem. Na verdade havia morto mais gente....mas não se lembrava.

Enfim, não interessa. Clotilde era uma psicopata e deu à luz o primeiro bebé híbrido Sapiens-Neandertal da história. Foi muito feliz enquanto viveu e viveu sempre onde nasceu, em Itália. Continuou a matar. Chegou a controlar a recolha do lixo... há quem diga que foi a primeira mafiosa da história, há quem diga que nem existiu. Nunca saberemos!


© Comparação craniana entre Homo Sapiens e Neandertal (Wikicommons, Hairy Museum Matt).

03/04/2013

Ele viu um passarinho...

Adaptação da canção "Eu ouvi o passarinho"  à realidade do momento.

Maduro viu um passarinho
Naquela igreja entrar
Era o Chávez reencarnado
E agora sabe cantar!
Era o Chávez reencarnado
E agora sabe cantar!

Por cima da sua cabeça
O passarinho voou
Deu três voltinhas apenas
Depois mui belo cantou
Deu três voltinhas apenas
Depois mui belo cantou

Ó Chávez ditador,
Ainda bem que apareces
Quero ser presidente
Ouve lá as minhas preces!
Quero ser presidente
Ouve lá as minhas preces!

Maduro assobiou
seu pedido ao passarinho
Este cagou para ele
E voltou para o seu ninho
Este cagou para ele
E voltou para o seu ninho

Aquele não era Chávez
Chávez é outra ave
Ele está no Vaticano
Manipulou o Conclave!
Ele está no Vaticano
Manipulou o Conclave!
Ele está no Vaticano
Manipulouuuuu o Conclaaaaveeee!

01/04/2013

A dívida de Portugal foi perdoada!

O mundo ficou hoje mais lindo porque a dívida de Portugal foi perdoada. Segundo as notícias desta manhã, nós portugueses podemos começar a pensar no futuro, já que sem as restrições que nos eram impostas, a economia vai começar a mexer com outra facilidade. Graças ao abandono do moeda única, prevê-se um aumento das exportações antes mesmo do final do mês e, como consequência, também haverá a criação imediata de postos de trabalho. 

Poul Thomesen declarou à agência lusa: "Portugal nunca conseguiria pagar a dívida e acabaria por cair em falência e arrastar os outros países. O melhor que podíamos fazer era perdoar-lhes a dívida e deixá-los à sua sorte. "

Este é o senão. Portugal ficará a partir de agora à sua sorte, sem contar com quaisquer apoios da União Europeia. Angela Merkel já declarou: "Eles sempre foram bons navegadores, não ficarão à derivada por muito tempo."

As ruas estão cheias de gente optimista e com flores de plástico (os cravos naturais estão demasiado caros), parece que se deu um novo 25 de Abril. Há um renascer do povo Português. Ainda assim alguns ânimos exaltaram-se junto ao parlamento e houve uma tentativa de linchamento de Victor Gaspar. O que foi bom, pois o ministro das finanças cedeu às pressões e acabou por decidir aumentar o salário mínimo nacional para 500€ líquidos, proporcionando ao povo português mais algum dinheiro para ir ao Continente fazer as compras do mês. Pelo menos enquanto estiver aberto, já que obrigado a pagar salários tão elevados, Belmiro de Azevedo não conseguirá praticar os preços a que nos habituou.


Feliz Dia das Mentiras!

P.S: Parece que o salário mínimo nacional vai mesmo aumentar...só não serão 500€ líquidos...!

25/03/2013

Coisas estranhas no Continente

Ultimamente têm acontecido coisas muito estranhas no continente. Eu sempre que lá ia levava o valezito que me tinham mandado para casa e tentava não me desviar do objectivo que era apenas dar uso ao vale. Se ele fosse um desconto sobre um tipo de produto, só comprava esse tipo de produto, se fosse o tal dos 5€ para compras superiores a 20€, era só mesmo o que precisasse e pouco passaria dos 20€, e se fosse dos 10%, nem lá ia.

Bom, eu tentava, porque na realidade acabava sempre por gastar mais qualquer coisa, naqueles metros quadrados nada é por acaso! Há sempre alguma coisa maquiavélica ao lado do produto em promoção...alguma coisa inútil mas que por algum motivo faz psst! e nos obriga a olhar para ela! Ou então alguma coisa tremendamente útil mas que não tínhamos intenção de comprar... agora! Para terem ideia, eu quando vou ao Continente acabo sempre por trazer um hidratante para o corpo. Porquê? Não sei! E a verdade é que a maior parte das vezes nem o uso... Será que o Belmiro de Azevedo gostava de ver as mulheres hidratadas e passa alguma mensagem subliminar quando lá entramos?? Ou será que o problema é comigo? Deve ser comigo.

Enfim, o que se passa é que na última semana o Continente ficou estranho. Foi na 6ª feira que entrei lá dentro e dei por mim especada em frente a um cartão que dizia: "desconto imediato". Avancei mais um pouco e encontrei: pague 1 e leve 2. Comei a achar que estava a viver um daqueles meus sonhos bizarros e que daqui a pouco teria o carrinho cheio de hidratantes, mas não! Resumi as minhas compras ao que precisava (embora estivesse tentada a trazer uns filetezinhos de peixe gato riscado...nhami...).

No  fim de semana uma amiga vira-se para mim e diz: O Continente anda com umas promoções muito estranhas! Espera lá! Afinal não fui só eu que achei!! E eis que a minha amiga começa a contar a sua experiência continentesta...

Então ela vai ao continente comprar cerveja que estava a 8,99€ em promoção (sem promo custava 14,99€). E curiosamente, no fim de semana a cerveja tinha  25% de desconto em cartão. Ou seja, além de já estar em promoção, ainda tinha mais um desconto de 25% que acumularia no cartão!

Mas a coisa não ficou por aqui, quando ela foi conferir o talão percebeu que os 25% de desconto tinham incidido sobre os 14,99€! Ou seja, pagou 8,99€ e ficou com 3,75€ em cartão...!!

A ideia desta promoção devia ser embebedar os portugueses para esquecerem as baboseiras que o Sr. Belmiro disse no Clube dos Pensadores. Não acredito que tenha surtido muito efeito. Além do mais ainda se atreve a pôr os filetes de peixe gato riscado em promoção! Filetes de pescada? Não! Peixe gato riscado! Arroz doce? Não! Óleo de fígado de bacalhau! Elixir Colgate (pague 1 leve 2)...para depois lavar bem a boca! E até apostava que as cervejas estavam prestes a passar da validade. Não basta já o que basta, este homem ainda quer ferir de morte o nosso paladar!

Bom, e não percam as próxima promoções porque nós também não! (E afastem-se dos hidratantes...)

27/02/2012

O coninhas

Há uma característica que, no fundo, todas as mulheres apreciam nos homens. Não é bem uma característica, é mais uma capacidade. Eles conseguem passar ao lado das pequenas coisas que muitas vezes transtornam uma mulher. O mexerico da vizinha (deixa-a falar!), o vaso que desapareceu (levaram uma grande coisa!), a nódoa que não quer sair (ela logo sai. Se quiser!), e a roupa que não ficou bem passada (no corpo nem se nota!).
No entanto nem todos os homens são assim, há uma pequena percentagem que tem em conta, muito em conta, estas adversidades da vida: os coninhas.
Os coninhas, também chamados conanas, importam-se com tudo o que a vizinha diz, investigam até descobrir quem roubou o vaso, e se não descobrirem arranjam um culpado, lavam a camisa cinco vezes na maquina e por fim à mão, num só dia, (podem mesmo gritar com a nódoa se esta não sair, e não, não são obsessivos-compulsivos, a nódoa é que está a desafiá-los), e passam-na até que não fique uma ruguinha.
Atenção que isto nada tem a ver com homossexualidade. Os coninhas interessam-se pelo sexo oposto, o sexo oposto é que não se interessa por eles. Bem, a maioria das mulheres não se interessa, mas de tempos a tempos lá se vê um coninhas casado.
É mau ter um coninhas como marido mas eu acredito que ainda seja pior tê-lo como patrão. Porque a mulher que o escolhe para casar, supostamente ama-o, como ele é. Quem trabalha para um coninhas, trabalha porque precisa e não tem muita escolha.
Imaginem a mulher mais detestável à face da terra, mesquinha, embirrante, insensível ao alheio, cínica. E agora metam-lhe um bigode. Pronto, aí está: um conhinhas em todo o seu esplendor. Ridículo mas mais confiante e empertigado que um actor dos Morangos com Açúcar.
E como é que se lida com um coninhas? Identifica-se, cumprimenta-se uma vez por dia com um sorriso e mantém-se uma eterna distância de segurança, para que o coninhas nunca se lembre de si quando o dia lhe correr mal.


25/02/2012

Ano Bissexto

Sempre ouvi dizer que os anos bissextos eram maus. Que eram anos de fome, miséria, seca e tragédia. E acho que está na hora de inverter essa ideia, está na hora de tornar os anos bissextos em anos de esperança.
Há muitos séculos, nalguns países, as mulheres ganhavam o direito de pedir os homens em casamento no dia 29 de Fevereiro. Na Escócia, se eles rejeitassem o pedido, eram multados...
Penso que na altura a lei não esteve em vigor no nosso país, mas estou certa de que este é o momento para a aplicar.
Imagine a menina que o seu coração bate com sofrimento por um rapaz que não se decide. Com esta nova lei, sentir-se-á mais confiante para fazer o pedido. Sentir-se-á também menos encalhada. E se ele disser que não? Se ele disser que não, paga uma multa de acordo com os rendimentos anuais. 50% da multa vai para a menina, 50% contribui para abater a dívida de Portugal. E se ele for desempregado? É obrigado a casar e fica com uma dívida às finanças.
Imagine que o seu coração não bate por ninguém e nem sequer lhe apetece casar. Pode fazer o pedido na mesma e ganhar uns trocos. Convém é fazer um estudo prévio para não correr o risco de o pedido ser aceite. E também estar a par dos rendimentos do indivíduo. A ideia é ajudar-se a si e ser patriota, não é arruinar o próximo.
Se é injusto para os homens? Não. É só de quatro em quatro anos. E vai tornar-vos mais correctos com o sexo oposto, de forma a evitar inimizades e, por consequência, prejuízos futuros. Os bancos criarão contas poupança com juros especiais, a pensar nestes anos. O Cão Azul terá novas t-shirts. A Axe criará um repelente. E toda uma nova economia surgirá...